Short of the Day #91



Paixão experimental.

Surreal e espirituoso, subliminar e fantasmagórico, ÉMOTION é cinema romântico em perfeito território experimental, numa história de fotogramas constantemente manipulados e dominada pelos rostos quase idílicos de Emi Tabata e Sari Akasaka: as "my two beloved girls..." de Nobuhiko Ôbayashi, cineasta que ninguém descreveu melhor do que David Cairns: "Obayashi's caffeinated take on avant-garde cinema certainly shows the influence of commercials, and he never met a gimmick he didn't like, but he can sure compose a shot."



  • . Ficha Técnica:
RealizaçãoNobuhiko Ôbayashi
ProduçãoKyoko Obayashi
ArgumentoKyoko Hanyu, Nobuhiko Ôbayashi
MúsicaNaoshi Miyazaki
Ano1966
PaísJapão

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Meshes of the Afternoon #5



Ao longo da primeira meia-hora de BODY AND SOUL (1947, Robert Rossen), a variedade publicitária da Coca-Cola nos anos 40 surge frequentemente nos cenários do filme. Product placement muito antes de tal se converter em prática comum na indústria cinematográfica ou um sinal inconsciente do (já então) poder de uma marca na sociedade norte-americana do pós-Segunda Guerra Mundial?










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Trains in Movies #12



THIEVES' HIGHWAY
(1949, Jules Dassin, 01:02:41 )

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Meshes of the Afternoon #4



That passion is made by the dark, the brightness, the very large screen, the company of strangers, and the knowledge that you cannot stop the process, or even get out. That is being at the movies, and it is becoming a museum experience. How can one tell one's student's or one's children what it was like seeing Vertigo (in empty theatres—for no one liked it once) or The Red Shoes from the dark. We watch television with the lights on! Out of some bizarre superstition that it protects our eyes. How so tender for one part of us, and so indifferent to the rest?

David Thomson, em The New Biographical Dictionary of Film: Sixth Edition.

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Meshes of the Afternoon #3



Christopher Heron demonstra, neste video essay, a forma como o espaço urbano de Tóquio é representado em THE MAN WHO LEFT HIS WILL ON FILM (1970, Nagisa Oshima).


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Short of the Day #90



"So many jobs that call / But film is best of all".

Do argumentista atormentado até à diva do grande ecrã que tudo faz para não cooperar com o realizador, FILM, FILM, FILM é o satírico ponto de vista de Fyodor Khitruk sobre o mundo do Cinema — uma arte constituída por indivíduos obcecados, permeável à ganância da indústria e ao sabor dos gostos populares, e da qual, ultimamente, todos querem fazer parte.



  • . Ficha Técnica:
RealizaçãoFyodor Khitruk
ArgumentoFyodor Khitruk, Vladimir Golovanov
FotografiaBoris Kotov
MúsicaEvgeniy Krylatov, Aleksandr Zatsepin
Ano1968
PaísURSS

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Meshes of the Afternoon #2



The fact is I am quite happy in a movie, even a bad movie. Other people, so I have read, treasure memorable moments in their lives: the time one climbed the Parthenon at sunrise, the summer night one met a lonely girl in Central Park and achieved with her a sweet and natural relationship, as they say in books. I too once met a girl in Central Park, but it is not much to remember. What I remember is the time John Wayne killed three men with a carbine as he was falling to the dusty street in Stagecoach, and the time the kitten found Orson Welles in the doorway in The Third Man.

Walker Percy, em The Moviegoer.

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Short of the Day #89



Escapadela nocturna.

Uma incursão de Rose McGowan — Scream Queen dos anos 90 e ex-Sra. Marilyn Manson — pelos golden fifties nunca poderia ceder ao radiante espírito daquela época. Pelo contrário, DAWN resulta numa experiência inquietante, de amargo clímax, sobre emancipação, desejo e ingenuidade juvenis.
E fica o vislumbre de que Rose McGowan, enquanto realizadora, é nome a reter para os próximos anos.



  • . Ficha Técnica:
RealizaçãoRose McGowan
ProduçãoJohn Nguyen
ArgumentoM.A. Fortin, Joshua John Miller
FotografiaStarr Whitesides
MúsicaElijah Hanford
ElencoTara Lynne Barr (Dawn), Reiley McClendon (Charlie), Hannah Marks (Mary French), Michael Moskewicz (Joe)
Ano2014
PaísEUA

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Meshes of the Afternoon #1


Registada em 1952, a MELO-GLOW foi uma marca de frutas e vegetais detida pela companhia americana Half Moon Fruit & Produce Co., sediada em São Francisco, onde ainda opera. A insígnia foi descontinuada, por decisão da empresa, em 1992.
Em THIEVES' HIGHWAY (1949), de Jules Dassin, é possível vislumbrar um conjunto de paletes de melões com o logótipo MELO-GLOW.

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Trains in Movies #11



MR. HOLMES
(2015, Bill Condon, 00:01:17 )

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Short of the Day #88



A mecânica da (in)tolerância religiosa.

Em competição por festivais como Cannes ou Palm Springs, e recentemente colocada na shortlist de filmes elegíveis a nomeação para o Oscar de Curta-Metragem, a comicidade do "impasse" orquestrado por Basil Khalil, em AVE MARIA, revela-se como pretexto para a óbvia (e muito na ordem do dia) reflexão sobre divergências religiosas. Mas não só.
A exposição do ridículo de fronteiras geográficas e culturais, mesmo em situações onde o humanismo deveria imperar, está na génese deste improvável encontro, entre uma ordem de irmãs religiosas em voto de silêncio e uma família judaica disfuncional, onde todos terão algo a ceder.



  • . Ficha Técnica:
RealizaçãoBasil Khalil
ProduçãoEric Dupont, Eric Fantone
ArgumentoBasil Khalil, Daniel Yáñez Khalil
FotografiaEric Mizrahi
ElencoHuda Al Imam (Marie Angeline), Ruth Farhi (Esther), Maya Koren (Rachel), Shady Srour (Moshe), Maria Zreik (Marie)
Ano2015
PaísAlemanha | França | Palestina

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THE CHASE (1966, Arthur Penn)



Terra corrupta.

Dos actores ao calor viscoso do Texas, tudo é imoral em THE CHASE (a.k.a. PERSEGUIÇÃO IMPIEDOSA) e, por isso, absolutamente cativante. O mesmo se aplica ao argumento de um policial que, convertendo Robert Redford em medroso evadido e Marlon Brando num xerife desencantado, agrupa este microcosmos de infidelidade conjugal consentida, frustração sexual, dilemas juvenis não resolvidos e ambiente de pura fractura — ricos e pobres, brancos e negros, velhos e novos, homens e mulheres, todos desonestos até ao tutano — para, também, traçar o retrato (de então e de agora?) dos próprios Estados Unidos da América.
Arthur Penn assinou aqui uma genuína pérola dos anos 60, uma obra que merece ser resgatada, revista e reestudada.



  • . Ficha Técnica / Credits:
    • RealizaçãoArthur Penn
      ProduçãoSam Spiegel
      ProduçãoLillian Hellman
      FotografiaJoseph LaShelle
      MúsicaJohn Barry
      ElencoMarlon Brando (Sheriff Calder), Jane Fonda (Anna Reeves), Robert Redford (Charlie 'Bubber' Reeves), E.G. Marshall (Val Rogers), Angie Dickinson (Ruby Calder), Janice Rule (Emily Stewart), Richard Bradford (Damon Fuller)
      Ano1966
      PaísEUA

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    MONTANHA (2015, João Salaviza)




    Passivo-agressivo.


    Na primeira longa-metragem de João Salaviza, a decadência emocional no palco urbano da Grande Lisboa — que o cineasta já estudara em ARENA e RAFA — resiste como tema principal deste MONTANHA. Mas se a cidade é relegada para um estatuto de espaço quase anónimo, tal deve-se à narrativa de um filme que serve de veículo à insolência e indiferença, absolutamente genuínas, no rosto e nas palavras de David Mourato — cuja contenção dramática assegura-lhe destaque na montra das figuras juvenis mais importantes da História do Cinema Português.



  • . Ficha Técnica / Credits:
    • Realização e ArgumentoJoão Salaviza
      ProduçãoFrançois d'Artemare, Maria João Mayer
      FotografiaVasco Viana
      MúsicaNorberto Lobo
      ElencoDavid Mourato, Carloto Cotta, Maria João Pinho, Rodrigo Perdigão, Cheyenne Domingues
      Ano2015
      PaísFrança | Portugal

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    Trains in Movies #10



    JOÃO BÉNARD DA COSTA — OUTROS AMARÃO AS COISAS QUE EU AMEI
    (2014, Manuel Mozos, 00:21:52 )

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    CRUEL STORY OF YOUTH (1960, Nagisa Ôshima)



    Maçãs podres.


    História de romance maldito entre dois jovens em rota de desvio à norma social por opção, cuja impureza é realçada pelo sujo e rígido Eastmancolor da imagem, CRUEL STORY OF YOUTH (a.k.a. CONTOS CRUÉIS DA JUVENTUDE) não se prende a teses políticas nem em derivados moralistas (e muito deste contexto se poderia extrair do Japão dos anos 60), sendo, inclusive, de assinalar que bem pode aqui residir a génese da misoginia de que Nagisa Ôshima seria acusado ao longo da sua carreira.
    No entanto, subjaz a enorme ternura do cineasta — pouco interessado nos meros jogos de campo e contra-campo — em encerrar os rostos e movimentos humanos, no recurso a planos-sequência tão deliberadamente fugidios e desequilibrados quanto os seus protagonistas. Nouvelle Vague nipónica, sem sombra de dúvida.













  • . Ficha Técnica / Credits:
    • Realização e ArgumentoNagisa Ôshima
      ProduçãoTomio Ikeda
      FotografiaTakashi Kawamata
      MúsicaRiichirô Manabe
      ElencoYasuke Kawazu (Kiyoshi Fujii), Miyuki Kuwano (Makoto Shinjo), Yoshiko Kuga (Yuki), Fumio Watanabe (Akimoto), Shinji Tanaka (Yoshimi Ito)
      Ano1960
      PaísJapão

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    NO REGRETS FOR OUR YOUTH (1946, Akira Kurosawa)



    Despojos de guerras perdidas.

    O rosto de uma muito jovem Setsuko Hara ilumina NO REGRETS FOR OUR YOUTH, melodrama de Kurosawa — em início de carreira — sobre juventude em marcha face a imperialismos militares, premonições de repressão, incerteza e humilhação, e um inegável apelo ao (re)começo de uma vida.
    E, por fim, a beleza das sombras potenciado por aquele 1.37, formato de uníssona exiguidade e imensidão.















  • . Ficha Técnica / Credits:
    • Realização e MontagemAkira Kurosawa
      ProduçãoKeiji Matsuzaki
      ArgumentoEijirô Hisaita, Akira Kurosawa, Keiji Matsuzaki
      FotografiaAsakazu Nakai
      MúsicaTadashi Hattori
      ElencoSetsuko Hara (Yukie Yagihara), Susumu Fujita (Ryukichi Noge), Denjirō Ōkōchi (Professor Yagihara), Haruko Sugimura (Madame Noge)
      Ano1946
      PaísJapão

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    Short of the Day #87



    O regressado.

    No seio do contorno gótico-surrealista deste filme made for tv, mas plenamente cinematográfico na sua concretização, observamos em PIESN TRIUMFUJACEJ MILOSCI (a.k.a. THE STORY OF TRIUMPHANT LOVE) toda a definição temática da carreira de Andrzej Zulawski.
    O triângulo amoroso patente em L'IMPORTANT C'EST D'AIMER (1975), o domínio sobrenatural de uma alma feminina de POSSESSION (1981) e a provocação à honra conjugal em LA FIDELITÉ (2000), reúnem-se num argumento digno de Edgar Allan Poe onde o chiaroscuro assoma-se lânguido e arrebatador.



    • . Ficha Técnica:
    RealizaçãoAndrzej Zulawski
    ProduçãoZygmunt Szyndler
    ArgumentoAndrzej Zulawski, Miroslaw Zulawski
    FotografiaMieczyslaw Jahoda
    MúsicaAndrzej Korzynski
    Ano1969
    PaísPolónia

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    IN JACKSON HEIGHTS (2015, Frederick Wiseman)





    Mapas de diversidade para o American Dream.

    É a geografia cultural, realçada pela câmara sempre intimista de Frederick Wiseman, que mais nos cativa em IN JACKSON HEIGHTS. Qual guia turístico cinematográfico (embora seja recorrente o cineasta localizar-nos pelo bairro, com a indicação de avenidas, ruas e transversais), são 120 hectares de manifestações artísticas, celebrações desportivas e discussões públicas sobre os prós e contras de Jackson Heights — um lugar de diversidade étnica, cultural, religiosa e de identidade sexual que se revela, indubitavelmente, como o espelho das insuficiências e conquistas do próprio Sonho Americano.




    • . Ficha Técnica / Credits:
    Realização, Produção e MontagemFrederick Wiseman
    FotografiaJohn Davey
    Ano2015
    PaísEUA

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