Meshes of the Afternoon #29



Quando o Cinema imita a Arte; ou, se quisermos, evidências de que o Cinema também pode ser uma Arte Plástica.


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Short of the Day #108



Não se pode mesmo confiar num cowboy.

Afirmação do estatuto da dinamarquesa Asta Nielsen como uma das sex symbols pioneiras da Sétima Arte, AFGRUNDEN (a.k.a. THE ABYSS) ficou registado para a posteridade não só pelo manifesto erotismo daquela dança "gaúcha", onde a actriz não apresenta pudores de sensualidade, como também por ser um dos primeiros exemplos, no seio do cinema mudo, de sequência censurada pelos exibidores norte-americanos.



  • . Ficha Técnica:
Realização e ArgumentoUrban Gad
ProduçãoHjalmar Davidsen
FotografiaAlfred Lind
Ano1910
PaísDinamarca

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Meshes of the Afternoon #28



Poster para THE FOUNDER, de John Lee Hancock.

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Meshes of the Afternoon #27



O making-of de SHIRLEY: VISIONS OF REALITY, obra de rigoroso e poético formalismo de Gustav Deutsch (sobre a qual já aqui escrevemos) e cinematograficamente inspirada na obra de Edward Hopper.


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SAUL FIA (2015, László Nemes)



O fim da humanidade.

Do drama pessoal de um Sonderkommando que julga reconhecer, entre os cadáveres das câmaras de gás de Auschwitz, o seu próprio filho, sobressai a notável execução técnica de SAUL FIA (a.k.a. O FILHO DE SAUL), que objectiva e intensifica o horror gráfico e demente do Holocausto que torneia o protagonista. À percepção geral da vida e morte nos campos de concentração, László Nemes entrega-nos diminuída profundidade de campo, clamores moribundos, o rumor dos fornos crematórios, olhares esvaídos de compaixão e a sombria ausência de esperança.
Obra visceral, abjecta, vertiginosa, a mais radical "expansão estética do Holocausto" desde SHOAH, brilhante e obrigatória.


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Meshes of the Afternoon #26



A propósito do lançamento de Death Walks Twice: Two Films by Luciano Ercoli, a Arrow Video recorda o giallo através dos títulos já comercializados pela editora — ou uma benéfica memória do profondo rosso do género.


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Meshes of the Afternoon #25



Poster para CHRISTINE, de Antonio Campos.

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Meshes of the Afternoon #24



Luchino Visconti e a arte da ambiguidade.


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Short of the Day #107



Beatiful Losers.

No Dia Mundial da Poesia, POEN: a animação de Josef Reeve e a voz de Leonard Cohen, numa poética prosa adaptada da sua própria pena.

My mind seems to go out on a path the width of a thread and of endless length,
a thread that is the same colour as the night.
Out, out along the narrow highway sails my mind,
driven by curiosity,
luminous with acceptance,
far and out,
like a feathered hook whipped deep into the light above the stream by a
magnificent cast
Somewhere, out of my reach, my control, the hook unbends into a spear,
the spear sheers itself into a needle,
and the needle sews the world together.



  • . Ficha Técnica:
RealizaçãoJosef Reeve
ProduçãoTom Daly
ArgumentoLeonard Cohen
Ano1967
PaísCanadá

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Meshes of the Afternoon #23



Loss of this card must be reported at once.
O cartão de Norma Jeane DiMaggio, identificada como USO Entertainer em plena Guerra da Coreia. Para o Departamento da Defesa, até Marilyn Monroe necessitava de "identificação específica".
Uma peça de memorabilia leiloada pela Bonhams, em 2008, por 57 mil dólares.

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EVERY FACE HAS A NAME (2015, Magnus Gertten)



Sobre identidade.

Se o documentário found footage já exerce, por si só, peculiar fascínio a partir do mistério encerrado nas imagens que o sedimenta, EVERY FACE HAS A NAME é revelador de todo o potencial de investigação inerente a esse género. E o sentido globetrotting de Magnus Gertten, procurando associar nomes aos rostos de sobreviventes de campos de concentração nazis, patentes num filme datado de Abril de 1945, culmina num mosaico de emoções contidas, surpresas e mágoas.
A reflexão que o filme suscita face à actual crise dos refugiados na Europa, embora compreensível no seu propósito, acaba por desequilibrar o saldo final de uma experiência que, em todo o seu firmamento, deveria ser, apenas e sempre, baseada no poder da memória.


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CLAUDE LANZMANN: SPECTRES OF THE SHOAH (2015, Adam Benzine)



O documentarista severo.

Para Claude Lanzmann, SHOAH foi sempre uma questão de compromisso, coragem e, sobretudo, de partilha — "nós temos de o fazer", tal como solicitado pelo realizador por diversas vezes.
Três características que vigorarão ao longo de CLAUDE LANZMANN: SPECTRES OF THE SHOAH, um making of semi-oficial de um dos documentários mais importantes sobre o Holocausto, dominado pelo semblante combativo de Lanzmann, um entrevistado que compreenderá o imperativo de, também ele, conseguir partilhar com o seu semelhante.


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ELLIS (2015, JR)



O fantasma de Ellis Island.

Os ecos da memória — tanto concreta como espiritual — daquela que foi a "porta de entrada", nos Estados Unidos, para milhões de emigrantes europeus são invocados, pelo artista plástico JR, através da incursão experimental, a espaços quase onírica, de ELLIS.
Robert De Niro é inesperado rosto e guia alegórico de uma autêntica instalação artístico-visual, espraiada ao longo de um espaço marcado por um passado de esperança, resiliência e amargura. Cinco estrelas mesmo.


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VERBOTENE FILME (2014, Felix Moeller)



Cuidado: estes não são apenas filmes.

De quatro dezenas de obras de propaganda do III Reich, banidas de circulação pelo tempo e por receios colectivos de novos ímpetos nacionais-socialistas, VERBOTENE FILME (a.k.a. FORBIDDEN FILMS) analisa, com detalhe e profundidade, a influência que títulos infames como JUD SÜSS ou HOMECOMING podem deter no seio das sociedades modernas.
Único "pecado": a ausência de abordagem sobre o proibido e o perfeitamente disponível (de Leni Riefenstahl a Wolfgang Liebeneiner, abundam exemplos) no mercado de home cinema. Material para um futuro documentário?


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THE ASSASSIN (2015, Hou Hsiao-Hsien)



Pássaros em poético combate.

O wuxia não é traçado somente por artes marciais e rigorosos compromissos de honra. Em THE ASSASSIN (a.k.a. A ASSASSINA), Hou Hsiao-hsien evoca o ritmo e a narrativa desses códigos na aparente estática dos seus enquadramentos: quadros de assombrosa e paciente precisão, onde as emoções se revelam arrebatadas pela poesia sensorial das imagens — há tempo para apreciar cada foco de luz, cada sombra, cada movimento.
Constante reminding de como o Cinema é, essencialmente, uma arte visual, num dos melhores filmes que poderemos ver em sala este ano.


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Meshes of the Afternoon #22





Looking for slow motion? Zack Snyder tem o que precisam (via Live For Films).

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MACBETH (2015, Justin Kurzel)



Shakespeare visceral.

Ninguém é Welles ou Polanski só por desígnio. Talvez por isso, Justin Kurzel infunde uma pulsante atmosfera, de sangue e loucura, neste MACBETH para o Século XXI, assente na "sensibilidade digital" de Adam Arkapaw, no protagonismo com unhas e dentes de Michael Fassbender e pautada pelos sombrios acordes de Jed Kurzel.
Embora a escolha seja compreensível (nomeadamente, pela sua equação físico/talento), a Lady Macbeth de Marion Cotillard é um profundo erro de casting.


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The Short Guide to Judaica 2016



"Refugiados e sobrevivência" é não só o fio condutor de maior relevância para os tempos que correm, como também para a quarta edição da Judaica — Mostra de Cinema e Cultura, este ano presente em quatro localidades (Lisboa, Cascais, Belmonte e Castelo de Vide).

Mostra de Curtas-Metragens.

  • BACON & GOD'S WRATH (Sol Friedman)


  • Razie está quase a completar 90 anos mas, devido à rígida educação judaica que lhe foi transmitida pela família e às regras da alimentação kosher, nunca comeu bacon. À medida que nos conta a sua história de vida, explica-nos os medos que sente e tenta ela própria encontrar um motivo para sempre ter resistido à tentação. Será capaz de quebrar com a ortodoxia de nove décadas e por fim experimentar uma fatia de bacon?


  • ELLIS (JR)


  • Foi a porta por onde entraram 12 milhões de imigrantes nos Estados Unidos. Aqueles que as autoridades consideravam doentes ou incapazes de seguir caminho ficavam no hospital de Ellis Island, de onde podiam ser deportados para os países de origem se não melhorassem. É nesses corredores, abandonados há mais de 60 anos, que Robert De Niro deambula para nos contar a história de tantos homens, mulheres e crianças que chegaram ali em busca do sonho americano.


  • DEAR GOD (Guy Nattiv & Erez Tadmor)


  • Ele é vigilante no Muro das Lamentações. Ela surge no lugar mais sagrado para os judeus para inserir nas fendas da parede pequenos papéis com os desejos que não ousa comunicar. O guarda de Jerusalém decide concretizá-los. Sem serem proferidas palavras, a comunicação acontece.


  • WOMEN IN SINK (Iris Zaki)


  • No cabeleireiro Fifi’s, num bairro árabe cristão de Haifa, cidade no Norte de Israel, a realizadora Iris Zaki lava o cabelo das clientes e foca a câmara sobre as cabeças delas. A sucessão de retratos falados, por mulheres árabes e judias, revela uma visão feminina comum e cúmplice: longe da política e dos centros de decisões, estas anónimas partilham experiências da coexistência — e provam que a vivência em conjunto é possível em paz. Com respeito, aceitação e amizade.


  • CLAUDE LANZMANN: SPECTRES OF THE SHOAH (Adam Benzine)


  • Como surgiu aquele que é considerado 'o' documentário sobre o Holocausto, o épico de mais de nove horas de duração SHOAH? O autor, Claude Lanzmann, desvenda os bastidores do filme que demorou 12 anos a concretizar – e explica o conceito da obra lançada em Abril de 1985.


  • SOME VACATION. (Anne S. Lewis)


  • O que acontece quando um pai, vendedor de hábitos de freiras, resolve levar a família nas visitas de negócios aos conventos durante as férias de Verão?

O alinhamento completo da programação da Judaica — Mostra de Cinema e Cultura, que se realiza em Lisboa de 16 a 20 de Março, pode ser consultado no site oficial do evento.

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THE ITALIAN (1915, Reginald Barker)



Desesperada imigração.

A tragédia em THE ITALIAN adivinha-se desde muito cedo. Todavia, Reginald Barker (dos melhores "anónimos cineastas" durante o pré-sonoro do Cinema Americano) enriquece o filme com a exímia poesia dos planos em íris, um declarado sentido de denúncia social — nomeadamente, as paupérrimas condições de vida dos emigrantes na Nova Iorque no início do Século XX — e no seu desenlace de profundo elogio humanista.
O rosto de George Beban, protagonista de uma história sobre pobreza, angústia e morte, é símbolo maior de como o Sonho Americano nunca esteve "logo ao virar da esquina".


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Meshes of the Afternoon #21

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THE WAR ROOM (1993, Chris Hegedus & D.A. Pennebaker)



Win when you're spinning.

A política, aparentemente, e as filosofias que lhe subjazem, constroem-se em pequenas salas como a documentada neste incisivo e frenético THE WAR ROOM (fenomenal referência ao Dr. Estranhoamor?), onde a paixão e o idealismo de estrategas como James Carville e George Stephanopoulos conduziram, em 1992, Bill Clinton à Casa Branca.
Aqui, o resto (incluindo os Clinton) é apenas para o holofote.


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Meshes of the Afternoon #20



The 70's really are back!

Poster de IN A VALLEY OF VIOLENCE, de Ti West.

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CAVALEIRO DE COPAS (2015, Terrence Malick)



A estética da alegoria.

Por esta altura, dificilmente constitui novidade que Terrence Malick não mais abandonará o percurso que, em bom rigor, trilha desde O NOVO MUNDO (2005): ou a genuína estética da alegoria, onde a "história" é narrada visualmente e o espectador impelido a indagar, julgar, raciocinar no seio de um fluxo diegético primordialmente sensorial.
CAVALEIRO DE COPAS revela-se mais um expoente deste estilo (único mas de contemporânea influência) abraçado por Malick. Longe de gerar consensos, esta é, também, e por intermédio das incursões passionais — reais ou imaginárias?, é fabuloso como o filme joga com tal pressuposto — de um argumentista, uma obra sobre essa máquina de esplendor e perdição que dá pelo nome de Hollywood.



  • . Ficha Técnica / Credits:
    • Realização e ArgumentoTerrence Malick
      ProduçãoNicolas Gonda, Sarah Green, Ken Kao
      FotografiaEmmanuel Lubezki
      MúsicaHanan Townshend
      ElencoChristian Bale (Rick), Cate Blanchett (Nancy), Natalie Portman (Elizabeth), Brian Dennehy (Joseph), Antonio Banderas (Tonio), Freida Pinto (Helen), Wes Bentley (Barry)
      Ano2015
      PaísEUA

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